segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"aquela banda que tocava na propaganda daquele carro"

Sou adepto da teoria de que algumas bandas são conhecidas por TODAS as pessoas que vivem em sociedade. E aliás, mesmo nas cavernas profundas do Azerbaijão, as mesmas bandas também são famosas por intermédio dos ursos pardos, que se reúnem em rituais pagãos, dando as mãos e bradando louvores de exaltação às músicas aprovadas pelo gorila que vos fala.
A maioria dos exemplos desta teoria concentram-se no pop anos 80. Depeche Mode, Duran Duran, A-ha, New Order, Tears for Fears e mais uma caralhada de preciosidades que você já ouviu. Seja na MTV, em temas de novela, no rádio do papai enquanto você, com menos de 1m de altura, se esparramava pelo banco traseiro. Hoje trataremos de uma banda que o google, em sua infinita blasfêmia, considera de menor relevância do que um bairro cospe-grosso em sampa, dada a sequência dos resultados.

véi, essa indumentária na primeira metade dos anos 80 era só sucesso

Alphaville é uma das bandas que acabam ficando estigmatizadas pelo seu hit-mor. Quando se fala neles, logo se fala em Forever Young e suas milhões de aparições em filmes, comerciais, séries de tv. Sem contar a sua letra "carpe diem" enaltecendo a vida, e digna de correntes insuportáveis de facebook.

Mas o post de hoje vem pra comprovar que Alphaville não é só essa musiquinha melosa.



Eis que em 84 esse trio alemão crava na história da boa música seu primeiro e maior legado. O disco contém todos os elementos do pop anos 80. Abre com uma música meio gótico, meio post-punk (pra mim a melhor deles), segue com uma synthpop também com uma atmosfera carregada, passa por Big in Japan - outro hit radiofônico - chega na To Germany in Love com uma das melhores linhas de baixo do estilo. Mesmo soando artificial, eletrônica e compressada, continua brilhando meus olhos cor de favo do cerrado. Ainda tem a Sounds Like a Melody, com uma melodia orquestrada e o refrão com alguns tons acima, uns agudos que hoje em dia o vocal não atinge nem amarrando uma tuba nos testículos. E pra finalizar, The Jet Set uma música tão alegre, mas tão feliz, que fará você expurgar confete pelos poros.

Algo notável: o Alphaville tá na ativa desde então. Num parou de lançar disco em época nenhuma. Como ainda não conheço a fundo os outros, subseqüentes ao (bom) Afternoons In Utopia, vou parando por aqui, deixando claro que é uma banda que vai muito além da lembrança "daquela música que toca no comercial".

E esse post é principalmente pra você que cultua coisas alternativas do quilate de Miami Horror, Cut Copy, Foster the People e afins, descobrir onde está a fonte sagrada. Agora ela materializou-se nos comments.


Apenas uma pequena observação que os companheiros de blog com gostos musicais atemporais irão concordar: poucos raciocínios são mais estúpidos do que a pergunta "ué, tu ouve isso? mas isso não é da sua época!"
Ora caralho, a minha época é agora. É o presente. A minha época sempre será a que eu vivo. No dia em que eu usar a expressão "porque na minha época...", pode me estrangular até a morte porque não há mais vida. A minha vida ficou presa a um eventual passado que não volta mais. E enquanto a música produzida no passado sobreviver no presente, ela é da minha época. Então toda vez que me perguntam isso eu torço meu pâncreas, certifico-me que não estou armado e quando a pessoa em questão ainda me fita esperando, eu respondo apenas com uma expressão:


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Macaco Vermelho



Em homenagem ao meu amigo Macaco no Peito trago um pouco de Hip-Hop pra galera da pedra!
Comecem a juntar as correntes de bicicleta do seu prédio, trançar anéis de latinha de coca cola pra pendurar no peito. Roubar as calças do varal do seu vizinho obeso do primeiro andar e suas camisas também.
O grupo de hoje é o N.E.R.D. (No one Ever Really Dies) Formado por Pharrell Williams (Preto que se tornou branco por ter MILHARES de dinheiros), Chad Hugo (Japonês de pintinho grande por ter MILHARES de dinheiros).
Se conheceram na faculdade e durante a vida produziram e tocaram com diversas bandas até que em 2001 formaram o NERD.

PROCURADOS!


E aí está o CD do MACACO VERMELHO "Seeing Sounds" 3º Álbum lançado em 2008.

Todas as faixas por Pharrell Williams, exceto onde anotado.

  1. "Time for Some Action" - 3:43
  2. "Everyone Nose (All the Girls Standing in the Line for the Bathroom)" (Williams, Chad Hugo) - 3:27
  3. "Windows" - 2:59
  4. "Anti Matter" (Williams, Hugo) - 4:01
  5. "Spaz" - 3:51
  6. "Yeah You" - 4:07
  7. "Sooner or Later" - 6:43
  8. "Happy" - 4:36
  9. "Kill Joy" - 4:10
  10. "Love Bomb" (Williams, Hugo) - 4:36
  11. "You Know What" - 4:31
  12. "Laugh About It" - 4:04

Ouvam não irão se arrepender. Atentem para as faixas: "Everyone Nose", "Yeah You", "Sooner or Later", "You Know What" e "Laugh About It".

Everyone Nose (All the Girls Standing in the Line for the Bathroom)

O Macaco Rapper Aprova este post

domingo, 9 de outubro de 2011

COJONES

Antes de iniciar este post, farei uma rápida chamada:

- Respeito (presente)
- Mente aberta (presente)
- Senso de humor (presente)
- Diversidade sexual (presente)

Vejo que permanecem em sala alguns homofóbicos, bolsonaristas, e adeptos do orgulho hetero. Vocês podem (e devem) se retirar, pois o que vem a seguir não lhes diz respeito.



nooooooooooossa abiuga, essa sua produção tá um ESCÂNDALO

Bom, como muitos sabem, hoje é dia da parada LGBT em copacabana. Aproveitando a oportunidade, indico uma banda pra você libertar todo o seu lado bichona que é reprimido há tempos. Música pra sentar o rabo na frigideira e deixar cozinhar.



Textículos de Mary. A banda mais culhuda da história da MQB (música de qualidade brasileira). Vinda na segunda leva do Mangue Beat, a que o Abril pro Rock ajudou a divulgar no início do século. Punk na sonoridade, nas letras, no visual, na atitude. É algo como se Raimundos das antigas virassem travecos (ao invés de evangélicos...). Se você não sabe o significado de COJONES, veja e entenderá. Numa sociedade, num espaço e num movimento completamente preconceituosos e conservadores, nasce uma banda descaralhada, travestida, e cultuando a sodomia no palco, enfiando microfone naquele lugar que não bate sol, etc. Pegando toda a discriminação (de gays inclusive) e enfiando no cu. Nos seus cus.

Uma parada que não consigo entender, é que eles ainda assinaram com uma gravadora (Deckdisc) e lançaram dois discos!!!!!!!!! Com clipe na MTV e os caralho. Não é só uma questão de botar o pau na mesa. É quebrar a mesa com o pau, de tanta atitude.



Upei o disco de estréia dele(a)s, Cheque Girls de 2002. Basicamente punk, apesar de uma bem puxada pro reggae, a "Entradas e Bandeiras", que falando em puxar, fará alguns integrantes desse blog puxar pra dentro do pulmão algumas substâncias vegetais produzidas pela natureza. Tem também a "Menarca" uma baladinha que te levará às lágrimas (do olho de cima, por enquanto). E, claro, a "Propóstata" que é a declaração de amor mais linda, pura e poética que eu já ouvi na vida!!!

Pra finalizar, tem também o documentário contando a história da banda, do nascimento à alguns casos, com o depoimento deles e de alguns personagens da cena Mangue Beat, e do final da banda com sabotagem no show, desligando microfones (alguém ae vai se reconhecer nessa parte), polícia querendo dar porrada em todo mundo, querendo invadir o camarim. Altamente recomendado. Mas como eu sei que pras minhas postagens vocês seguem a linha dos patrióticos cavalos de raça no desfile de 7 de setembro (cagam, andam e são aplaudidos), vê então apenas o início dele com a lenda da criação da banda que é comédia pra caralho.